Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Maio 23 2010

 

No mar das tuas mãos me fiz batel.

Da luz do teu olhar me fiz farol.

No lume da tua pele matei o frio

dos tempos de um porvir

a que roubaste o sol!

 

2008

Jenny Lopes

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 23:27

Maio 23 2010

 

Com estas palavras

                       percorro

as margens de um rio.

 

O latejar suspeito

 

de um vulcão cansado.

 

 

Os terraços geométricos

 

dos arranha céus da cidade.

 

 

Com estas palavras

                      percorro

nas praias revoltas do meu ser

as ondas inquietas do teu rosto.

 

2007

 

Jenny Lopes

Postado por Liliana Josué

 

 

publicado por cantaresdoespirito às 23:23

Fevereiro 27 2010

 

Madalena

Minha querida Madrinha da Escrita.

À minha ideia vêm tantos momentos que passámos juntas. Na tua casa, na minha 

casa momentos de leitura, de conversa, em que eu aprendi contigo a entender melhor, 

a apreciar mais, tantos talentos da nossa Literatura.

Esquecer-te é impossível. És um marco vivo nesta fase da minha vida.

Até breve, Madalena.

Jenny

publicado por milualves às 16:52

Novembro 04 2009

 

No mar das tuas mãos me fiz batel.
 
Da luz do teu olhar me fiz farol.
 
 
No lume da tua pele matei o frio
 
dos tempos de um porvir
 
                   a que roubaste o sol!
 
 
2008
publicado por milualves às 13:18

Novembro 04 2009

 

Com estas palavras
                            percorro
as margens de um rio.
 
 
O latejar suspeito
 
de um vulcão cansado.
 
 
Os terraços geométricos
 
dos arranha-céus da cidade.
 
 
Com estas palavras
                            percorro
nas praias revoltas do meu ser
as ondas inquietas do teu rosto.
 
 
2007
publicado por milualves às 13:13

Novembro 04 2009

 

 
Tu ontem, eu hoje,
         Nós sempre.
 
Eu folhagem, tu gaivota,
         Nós céu aberto.
 
Tu onda, eu areia,
         Nós mar alto.
 
Tu sangue, eu carne,
         Nós paixão.
 
Tu madrugada, eu canção
         Nós Poesia.
 
Eu chuva, tu orvalho,
         Nós procela.
 
Tu sombra, eu nuvem,
Nós deserto.
 
Tu Inverno. Eu Outono.
         Nós solidão.
 
 
2008
publicado por milualves às 13:04

Novembro 03 2009

 

 
Se todas as horas eu vivesse em doce tranquilidade,
e a minha alma transbordasse pelas coisas simples.
Se os meus caminhos fossem direitos
e as minhas ambições somente humanas.
Se dentro de mim houvesse conformação,
se dentro de mim ecoassem serenos Nocturnos de Chopin.
Se eu te recordasse em brisas de calmaria,
se olhasse as crianças sem reviver a infância,
se olhasse a juventude sem atear o braseiro dos sonhos.
Se olhasse o passado sem vendavais bravios de saudade.
 
Tudo seria melhor, mais feliz, mais fácil.
Mais calmo, mais cordato, mais normal.
Como a família gosta, como os amigos recomendam.
Estaríamos todos sentados em sofás confortáveis,
as mãos no regaço,
os olhos mortiços,
a conversa morta.
A olhar, a ver, a viver a telenovela das oito.
 
Mas nada disto cabe no meu eu. Que querem?
Cada eu é um eu, diferente, único, definido.
E eu sou eu, assim!
Por ser assim, e só por ser assim, vos amei tanto,
 vos dei sempre tudo sem conta, sem medida, sem anotação.
Vos dei tudo, tudo. As esperanças, os risos,
as desilusões, as lágrimas.
A longa agonia dos tempos sem sentido.
 
Hoje, tento recompor o meu ser como um puzzle.
De peças velhas, pisadas, partidas, esquecidas,
deixadas ao longo de caminhos tão distantes.
Hoje espreito na janela da minha inquietude
a tua recordação.
As tuas mãos que já não lembro,
os teus olhos de cor perdida na passagem do tempo.
 
E parece-me ouvir o meu coração.
Em batida descompassada, desregulada, enfraquecida.
O meu coração igual.
Intacto.
Na sua forma de amar,
de se dar,
 de se encher,
de se repartir.
 
O meu coração.
No seu entendimento do Ser Homem
e dentro de si abranger todos os outros Homens.
 
 
In: Palavras que o Vento não levou
publicado por milualves às 18:24

Novembro 03 2009

 

 Tanto te procuro
 Que te hei-de encontrar.
 
 Num abraço profundo.
 Numa noite sem bruma.
 
 À beira do mar.
 
 
publicado por milualves às 17:20

Novembro 03 2009

 

O assunto favorito era a guerra.
Com tudo o que dela nascera e morrera.
O homem destemido em que, pela guerra,
Ele se tornara.
 
 As palavras ditas.
 Corridas.
 Sentidas.
 Repetidas.
 As palavras gritadas.
 Convencidas.
   Desesperadas.
   Certeira,
   como tiros.
     
     
Ela ouvia.
A calar.
A concordar.
Sem pensar.
 
 Vencida.
 Desatenta.
 Alheada.
 
Em abstracção total a viver outro tema.
Era todos os dias igual.
 
E, entre os dois, as muralhas cresciam.
Cresciam.
A sufocar o amor.
 
( In “ Palavras que o Vento não Levou”)
1998
 
publicado por milualves às 17:17

Novembro 03 2009

 


 
 
Porque não enterro o sonho nos pântanos da vida,
 No orgulho, na vaidade,
 Nas malquerenças.
Porque não entendo as palavras vãs
 Da mentira, do engano,
 Do desamor.
Porque não toco as trombetas do enaltecimento próprio,
Antes deixo à inteligência alheia as escalas dos critérios de valor.
Porque anseio a perfeição em cada curva do caminho
E apenas me são dados fugazes momentos de imitação.
Quebro os pés de barro dos ídolos que me cercam
  
E refugio-me no silêncio das ausências.
 

2000     
publicado por milualves às 15:33

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